31 de maio de 2016

Cabuçu lança enredo e apresenta sua equipe para 2017

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A tarde de domingo foi de muita alegria e descontração  no clube Vitória, no bairro do Engenho de Dentro, onde a Unidos do Cabuçu realizou seu primeiro evento  visando o carnaval de 2017.  Com feijoada e roda de samba, a azul e branca do Lins de Vasconcelos , apresentou  sua equipe para o carnaval de 2017, onde buscará o campeonato e o passaporte para o grupo de  acesso  do carnaval carioca. 


A festa começou por volta das 14h. Uma deliciosa feijoada foi servida para a comunidade, seguida por roda de samba. Por volta das 17h, o presidente Renato Thor e o Vice-presidente Leandro Azevedo, apresentaram a equipe para o próximo ano aos segmentos.

O carnavalesco João Vítor Araújo que já mostrou seu talento na Viradouro e Portela e este ano assina também o desfile da Acadêmicos da Rocinha, na Série A se mostrou empolgado com o novo desafio.

- Fiquei muito feliz e honrado com o convite do presidente Thor e do Leandro, será minha estréia na Intendente Magalhães e meu objetivo é fazer um belo trabalho e trazer a Cabuçu de volta à Marquês de Sapucaí – afirmou o carnavalesco.


Além do carnavalesco, o diretor de carnaval, André Gonçalves, o Coreografo da Conissao de frente , Fábio Batista , o primeiro casal de Mestre-sala e Porta-bandeira, Yuri e Mirian, os diretores de bateria, Polinho e Rogerinho e  a rainha de bateria Ranny foram apresentados para a comunidade.

Após a apresentação da equipe, o carnavalesco anunciou o enredo, Domingo Menino Dominguinhos, uma homenagem ao cantor pernambucano Dominguinhos, tido como herdeiro musical de Luiz Gonzaga pelo seu talento com o acordeão e autor de clássicos no cancioneiro nordestino como “De volta pro aconchego” e” isso aqui ta bom demais”.  Logo em seguida, o interprete Sandrinho entoou sambas memoráveis da escola para a apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira que bailou com leveza  e muito entrosamento, seguidos da apresentação dos passistas do Paraíso do Tuiuti que mostraram muito samba no pé.

Segue Sinopse do enredo da Unidos do Cabuçu para  o carnaval 2017.

CARNAVAL 2017
UNIDOS DO CABUÇU
ENREDO: “DOMINGO MENINO DOMINGUINHOS

“Olha a cocada, olha a cocada! Só compra quem tiver dinheiro. Quem não tiver não sente nem o cheiro”. É domingo, dia de feira em Garanhuns, final da década de 1940. Entre as barracas montadas no chão de terra, vende-se de tudo que há no mundo: cebola, mamona, jerimum, milho, mandioca e feijão – “Eu tenho pra vender, quem quer comprar?”. José, Moraes e Valdomiro, três irmãos humildes, desprovidos de fartura, se misturam àquela multidão de gente. Ajeitam cada um o bisaco e olham para a mãe, Dona Maria, que ordena: “Podem sentar aí e começar a tocar”. Sanfona, triângulo e pandeiro – pequenas cantadelas foram entoadas nas vozes dos Três Pinguins, como eram chamados os irmãozinhos, que estiraram o chapéu de couro curtido no chão no afã de, quem sabe, conseguir algum trocado qualquer. Para espanto, era tanta pratinha caindo aos pés dos meninos que, no fim das contas, a família fez uma fé e, dela, não deixaram faltar o pão dentro de casa.

O sanfoneiro de oito baixos tinha nome e sobrenome: José Domingos de Morais. Virtuoso, tocava o instrumento desde os seis anos, quando ganhou do pai Francisco, sem saber ler uma partitura. Seu dom estava nas ruas: sempre cantava com os irmãos para reforçar o orçamento de casa, no agreste pernambucano. Um dia botou na cabeça que ia ganhar o mundo. Ouviu dizer que um tal de Luiz Gonzaga, o Lua, estava hospedado no antigo Tavares Correia, na Avenida Rui Barbosa. Lá foram os Pinguins tentar a sorte grande. Com a sanfona na mão, fizeram uma apresentação improvisada, quase uma serenata, interrompida pela pergunta: “Essa cabra não é meu conterrâneo Neném do Acordeão?”. Era Gonzaga, o Rei do Baião, interessado no talento de Domingos, o Neném em questão, como era chamado desde a infância.

Um encontro que mais traçaria a saga do menino pobre. Domingos, ou Neném, saiu do hotel com um cartão na mão. Endereço: Rio de Janeiro; ano: 1954. “Pensamento viaja”. Tomou coragem e, anos depois, embarcou num pau-de-arara rumo à Cidade Maravilhosa. Lá reencontra Luiz, o que mangava de Januário, que decide apadrinha-lo depois de atestar seu talento incontestável. Neném passa a se chamar Dominguinhos, com a responsabilidade de ser o mais legítimo herdeiro de Gonzagão. A Domingos coube a missão de seguir com passos firmes o caminho aberto pelo famoso Rei do Baião, que presenteou o herdeiro com uma sanfona nas mãos, agora de 80 baixos.

“Olha, isso aqui tá muito bom / Isso aqui tá bom demais” – Nessa trilha marcada pelo compasso do fole e da zabumba, o pernambucano de Garanhuns logo provou que era mestre. Tornou-se uma referência para quem faz música nordestina. Da feira da infância, veio a primeira canção gravada e entoada nas rádios: “Moça de feira”. Mais tarde, conhece Anastácia, que em batismo é Lucinete, mas no coração foi a principal parceira de vida, de letra e de melodia. “Eu só quero um amor / Que acabe o meu sofrer / Um xodó pra mim do meu jeito assim / Que alegre o meu viver”. Pulsa a poesia, mas o coração nordestino fala alto – “Tô com saudade de tu, meu desejo” – e segue Dominguinhos a retornar à sua terra, ao lado do Lua Viajante. “Por ser de lá, do sertão, lá do cerrado”, vê a peleja de sua gente, que sobrevive no infinito rachado no chão, sem um “pé de prantação”. “A planta pede chuva quando quer brotar”. As paredes das casas cor de adobe guardam histórias, mas também guardam esperanças: “Mandacaru / Quando fulora na seca / É o sinal que a chuva chega / No sertão”.

Foram mais de 70 anos de sucesso até chegar sua estação derradeira: por coincidência, Exu, terra do seu padrinho Gonzagão, de quem herdou o legado do baião, do fole e do xaxado. Não tardou para o filho de Garanhuns, outrora Neném do Acordeão, caminhar na direção do seu mestre maior. “Olha pro céu, meu amor / Vê como ele está lindo / Olha praquele balão multicor / Como no céu vai subindo”. Era Domingo Menino Dominguinhos, que sorri novamente, desta vez lá do alto, ao encontro do Rei. E hoje, passeando no seu próprio céu, nosso mestre da sanfona passa a dedilhar as nuvens para cantar: “Estou de volta pro meu aconchego / Trazendo na mala bastante saudade”.

[E que bom que, em 2017, a Unidos do Cabuçu faz coro, junto com milhares de brasileiros, para aconchegar Dominguinhos à memória dos grandes que por aqui passaram e, assim, cantar para ele, como forma de gratidão: “É duro ficar sem você vez em quando / Parece que falta um pedaço de mim / Me alegro na hora de regressar / Parece que vou mergulhar na felicidade sem fim”.]


Carnavalesco: João Vitor Araújo
Pesquisa e sinopse: Daniel Targueta

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MÚSICAS CITADAS NA SINOPSE:

- “Feira de mangaio”
- “Gostoso demais”
-  “Isso aqui tá bom demais”
- “Eu só quero um xodó”
- “Lamento sertanejo”
- “Asa branca”
- “Tenho sede”
- “Xote das meninas”
- “Olha pro céu”
- “De volta pro aconchego”

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