31 de agosto de 2016

PROSA DO FOLIA: Jorge Silveira, carnavalesco da Dragões da Real e Viradouro

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Dupla jornada no carnaval, vamos conhecer um pouco mais do carnavalesco Jorge Silveira. O artista também revela um pouco do que prepara no universo infantil da Viradouro e no povo nordestino da Dragões da Real

Para começarmos fale um pouquinho sobre você (um lado que as pessoas não conheçam)
- Eu sou uma pessoa obstinada. Eu persigo meus objetivos. Amo arte, cultura popular, bons amigos e bons momentos ao lado das pessoas que amo. Um nerd por natureza, aficionado por cinema, quadrinhos. Eu tenho um hobbie que amo: maquetes. Desenho é minha vida.

Como começou sua trajetória no mundo do samba ? Por quais escola você já passou ?
- Meu pai foi carnavalesco nos anos 80 em Niterói, onde teve a felicidade de ganhar alguns títulos e prêmios. Eu cresci em meio a fibra, ferro, isopor e madeira em barracão. Meu caminho não poderia ser outro. Eu aprendi naturalmente o amor pelo fazer do carnaval desde pequeno. Desde cedo aprendi a enxergar a arte de fazer o carnaval longe do glamour. No cotidiano de um barracão não há tempo nem espaço para isso.

Eu busquei aperfeiçoar meus conhecimentos em artes plásticas de uma forma geral, por isso procurei o caminho da universidade. Eu fiz Educação Artística na Escola de Belas Artes da UFRJ. Jaime Cezário me deu minha primeira oportunidade na Acadêmicos do Cubango. A partir dali não parei mais:  em Uruguaiana ( RS) já desenhei a Cova da Onça e Rouxinóis. Em Vitória ( ES ) a Boa Vista; no Uruguai a Rampla. Em Florianópolis a União da Ilha da Magia. Em São Paulo a X-9 Paulistana, a Gaviões da Fiel, a Dragões da Real ( onde atuo junto a uma comissão de carnaval) , Colorado do Brás. No Rio de Janeiro, Porto da Pedra, Cubango, Vila Isabel, Unidos da Tijuca, Mangueira e Imperatriz.

Como veio o convite para a Viradouro ?
- Eu projetei todo o carnaval da escola em 2016 e participei de sua execução no barracão junto a equipe. Ao termino do carnaval, após o desfile, o presidente Gustavo me fez o convite para assinar o conceito do desfile em 2017.

Da onde veio a ideia do enredo de 2017 (Viradouro)?
- O Gustavo tomou a iniciativa de propor um enredo de temática infantil. Eu busquei na música “Todo menino é um Rei” do Zé Luís do Nelson Rufino o caminho que eu precisava para amarrar o conceito do desfile. A música serve de gancho para abrir as portas da poesia do imaginário infantil, que será o pano de fundo do nosso trabalho. Eu já trabalho com universo dos ícones infantis há muitos anos, de forma que o desenvolvimento do enredo foi um caminho muito natural para mim.

Você também é carnavalesco em São Paulo, falar sobre Asa Branca, parte da cultura brasileira, é uma responsabilidade a mais ?

- Sem sombra de dúvidas. Vamos ter a oportunidade na Dragões da Real de imortalizar um dos maiores símbolos da musicalidade brasileira. A música Asa Branca tem 5 momentos, assim como o desfile que nós estamos desenvolvendo. O desafio da comissão de carnaval é imprimir uma marca forte de brasilidade nesse trabalho, com texturas que remetam ao universo nordestino, mas com uma linguagem universal. A responsabilidade é enorme, e ao mesmo tempo desafiadora.

Quais os pontos negativos e positivos da dobradinha RJ X SP ?
- O principal ponto positivo é poder participar do melhor dos dois mundos. Poder participar da história de construção dos dois espetáculos e proporcionar o intercambio das duas linguagens. O ponto negativo é o preconceito que as vezes existem de ambas as partes. Tanto o carnaval do Rio como o São Paulo são fantásticos e possuem cada um seu formato. Ambos ricos de cultura, arte e simbolismo.

O que você pode adiantar do carnaval 2017 ?
- Na Viradouro vamos ter um carnaval leve e dinâmico. A ideia é o deixar o componente da escola livre para brincar o carnaval, sem peso e excessos. A alegria será nossa tônica. Na Dragões, aguardem um trabalho inédito para escola. A Linguagem mudou completamente. Será o mais original dos últimos anos da escola.

 Qual seu carnaval e seu samba mais marcante ?
- “Tupinicópolis” . Mocidade, Fernando Pinto. “E a oca virou taba, a taba virou metrópole, eis ai a grande Tupinicólis” . É o máximo isso!

Você é carnavalesco mas samba no pé você tem ?
- hahaha vou ficar devendo  hahaha

Já aconteceu algum imprevisto na hora do desfile ?
- Chuva é sempre um imprevisto que pode ser um estimulo ou uma “arrasa quarteirão”. Já peguei chuva de granizo em São Paulo que arrebentou com desfile da X9. Uma pena, pois o trabalho da escola estava lindo.

Você tem alguma inspiração no samba ?
- Muitas. As maiores são meu pai ( seu Jorge Calderon, que foi carnavalesco 20 anos no carnaval de Niterói) ,Fernando Pinto e Renato Lage.

Qual carnaval mudou  sua vida ?
- “Acredite se Puder”, Dragões da Real 2015. Meu primeiro carnaval assinando junto a comissão de carnaval da escola. Naquele ano a Dragões ganhou todos os prêmios de melhor escola, melhor conjunto de fantasias e alegorias do carnaval.

Para finalizarmos, deixe seu recado para o mundo do samba
- Quero agradecer o carinho com meu trabalho e convidar os amigos embarcarem na alegria da Viradouro e percorrerem a saga do povo bravo nordestino nas asas da Asa Branca com a Dragões da Real.

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