6 de setembro de 2016

PROSA DO FOLIA: Capoeira, mestre de bateria da Alegria da Zona Sul

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No carnaval 2017 ele estará em uma nova casa, convidado pela Alegria da Zona Sul, vamos conhecer um pouco mais de Antonio Carlos Martins, o mestre Capoeira.
Foto: Thalles Mascarenhas
Para começarmos fale um pouquinho sobre você (um lado que as pessoas não conheçam)
- Meu nome é Antônio Martins, conhecido como Capoeira, casado, pai de dois filhos, tenho uma neta, sou taxista

Como começou sua trajetória no mundo do samba ? Por quais escola você já passou ?
- Eu comecei a trajetória nos blocos de carnavais aqui no bairro do Santo Cristo, ai com 14 anos eu inicie na bateria da Unidos do São Carlos, atual Estácio de Sá. Depois viajei aos Estados Unidos e quando retornei eu fui ser diretor de bateria da Vizinha Faladeira,  em 1989 e fiquei sozinho até 2004, uma passagem rápida na Santa Cruz, depois Arranco, 10 carnavais no Império da Tijuca e tô chegando agora na Alegria da Zona Sul

Como veio o convite para a Alegria da Zona Sul ?
- Eu tinha saído do Império da Tijuca e planejado a ficar um tempo fora do carnaval,fazer uma avaliação dos meus trabalhos, recusei 4 convites das escolas da série A, realmente eu não queria assumir nenhuma escola até que alguém me tocou da Alegria da Zona sul, na época eu nao quis nem conversar porque a escola já tinha um mestre de bateria, assim que o cargo da escola ficou vago eu sentei com o presidente no qual ele me deu vários motivos para querer voltar, me criou uma expectativa muito grande para o que ele quer para a escola, o projeto, ai eu achei um desafio bom ai por isso que eu resolvi voltar para o carnaval. Vale ressaltar que já recebi o convite para estar na Alegria da Zona Sul em 2004 mas acabou não acontecendo e dessa vez se concretizou.

De onde vem inspiração para bossas ?
- Ela é variada, vem de vários momentos,  eu particularmente  ouço muito o samba, eu escuto o samba para criar a bossa, funciona melhor do que você fizer paradinha e depois ir encaixando. Eu gosto muito da bossa de explosão nunca gosto de bossa que tem retorno no repique,dificilmente faço, eu prefiro uma bossa que tenha uma resposta conjunta que a bateria volte junta
Foto: Thalles Mascarenhas

Você é mestre de bateria mas samba no pé você tem  ?
- Claro pow, como ser mestre de bateria sem saber sambar rs

Qual seu carnaval e seu samba mais marcante ?
- Carnaval mais marcante como sambista foi meu primeiro ano na Estácio de Sá ano da Rádio Nacional (1977), porque ele combinou com a ânsia de querer estar envolvido com o carnaval e descobri meu amor com a Estácio. Como mestre foi no  Império da Tijuca no ano da rainha Jinga (2010), foi a bateria mais fantástica que eu pude colocar na avenida, respeitando os outros mestres daquele ano mas a minha bateria foi quase perfeita, beirando  a perfeição

 Como é a sua preparação para o carnaval ?
- Geralmente  eu volto em Maio mas cheguei agora na Alegria um pouco tarde, volto em maio para poder garimpar novos valores,faço esse trabalho até a escolha do samba. Depois que escolhe o samba eu trabalho a bateria no samba buscando o andamento ideal para o desfile buscando a parte harmônica , eu tenho que ajeitar ate os ensaios técnicos, quando chega os ensaios a casa já esta pronta e é só esperar a hora de desfilar

Já aconteceu algum imprevisto na hora do desfile ?
- Aconteceu sim, no desfile do grupo especial que pra mim teve duas vertentes, foi marcante pelo desfile em si e por ser muito trabalhoso, eu nunca imaginei que trabalhar no especial seria tao sacrificante e tão duro, o cachê que eu ganhei para ir pro especial não valeu  10% do trabalho que eu tive, muito trabalho para pouco dinheiro, descobri como sofrem os mestres do especial. No dia do desfile eu entrei praticamente sem ala de chocalho, fui pego de surpresa, muitos pontos dentro da bateria foram falhos e me fizeram desfilar preocupado com o desempenho, me via ao ponto de falarem que em 5 minutos e ia abrir o portão e eu nao ia ter a bateria formada, na verdade o inicio do desfile foi um início para esquecer, depois eu relaxei

Você tem alguma inspiração no samba ?
- Tenho bastante e não é só uma não, sempre gostei de observar os mestres da onde eu passei, quando comecei o meu mestre no bloco era o mestre Dacopi, depois trabalhei  com Nelson Galinha, ele foi muito criticado mas foi um cara que passei a gostar, depois com Ernesto e Mug,  sou fã do Mug o cara que por muito tempo carregou a Vila nas costas, Ciça na época dos anos 90 na Estácio de Sá , falar de mestre Andre é chover no molhado, o trio da Ilha Paulão Bira e Odilon que na Grande Rio eu comecei a absorver muita coisa dele na escola, conseguiu fazer a bateria uma das mais respeitadas. Cosme, Paulo Renato,Mestre Marçal que trabalhei na Portela entre outros.


Deixe seu recado para o mundo do samba
- Não  importa o tempo que vc fica numa escola,o quanto se ganha nela,o peso da bandeira dessa escola ou até  mesmo se foram injusto com você.  O que vai importar é o legado deixado, isso nenhum presidente ou diretor muquirana,vai tirar.
Diretoria da Alegria da Zona Sul / Foto: Thalles Mascarenhas

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