26 de julho de 2017

Conheça o enredo e sinopse da Unidos de Lucas

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No Carnaval 2018 a Unidos de Lucas, o Galo de Ouro da Leopoldina, presta homenagem ao povo do Nordeste, arretado, cabra macho, cabra da peste, o Xodó do Brasil!
Uma grande confraternização das culturas, artes e similaridades que se misturam no solo acolhedor do Rio de Janeiro.

Nosso Galo pega carona nas memórias, nas lindas e emocionantes histórias de quem de lá para cá viajou no pau de arara e trouxe para a Cidade Maravilhosa, a esperança na sacola e a fé no coração!

O baião do Gonzagão retrata grande parte da jornada, canto nobre do Sertão.
Eita, gente trabalhadora da gota serena!

Em um arrasta-pé de dar gosto, ao som dos Tamborins do G.R.E.S. Unidos de Lucas junto aos ritmos do Nordeste da sanfona, triangulo e a zabumba irão invadir a Avenida, ou melhor, a Estrada. As ruas e calçadas onde cariocas e nordestinos unidos “naquele abraço” vão da Feira ao passo marcado se embalar na multidão. Vestidos de vermelho, ouro e branco, as cores deste manto, irão cair na folia, na fantástica e esfuziante magia do carnaval.




André Cezari | Dir. Artístico G.R.E.S. Unidos de Lucas




O Galo arretado canta o Nordeste, o Xodó do Brasil!

A Unidos de Lucas declama ao povo do Nordeste, e conclama esta nação da Zona da Mata, do Agreste, do Meio Norte e do Sertão a fazer parte desta instituição. Uma instituição que, tanto quanto o povo nordestino, tem orgulho de ser quem é. De fazer o que faz, de lutar para vencer.
Eu sou o Galo de Ouro, ser quem sou, é para quem tem fé!
Como se estivesse na carroceria do pau de arara, inicio uma destemida jornada. Do Nordeste ao Rio vamos viajar. Medo não me aflige, nada pode me impedir! Sou guerreiro, sou arretado, sou forte! Minha bandeira está hasteada, aonde for a levo empunhada, e dela faço meu galardão.
Nos traçados dos caminhos já escritos no pergaminho, tão sublime quanto o anterior, este vem de coração. Do sentimento deste povo valente e orgulhoso de suas origens, sua cultura, suas raízes.
Ao som da zabumba, a lembrança, a esperança de um dia retornar. Rever os que ficaram, abraçar toda gente, contar as aventuras e com bravura relatar os perrengues. Com alegria mostrar sua história, superar todas as memórias limitantes de quem mesmo de sua terra, distante, não se deixou abalar.
São como eu sou! Festeiro e sonhador que embalado nos braços do povo quer comemorar, celebrar a vitória da vida, que embora tão sofrida, me faz cantar. E Gonzaga! A sanfona que é sempre companheira acode a nostalgia.
Em acordes acalanta os emigrantes, e minhas asas a Asa Branca se entrega.
“Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão”
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947)

Neste caminho do Xote ao Baião tem: Severino, Severina sem morte, é vida... Maria, José e João. Maculelê, Reisado, Coco, Bumba–meu-Boi do Maranhão. Tem Frevo, Xaxado e Espontão. Oh, sorte! Maracatu, Axé e Forró de sol a sol.
Os “arraiás” tomam conta do Nordeste. Valei-me Padim Padre Ciço! Tem Cordel, (Mestre) Vitalino, fogueira e Festa de São João.



“Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro o teu olhar
Que incendiou meu coração”
(José Fernandes e Luiz Gonzaga, 1951)

No balanço do caminhão que saiu do Maranhão, Piauí, Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, quanta emoção e expectativa na migração nordestina para o Sudeste!
“Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a alegria no coração”
(Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga, 1953)

Chegada e partida da condução que aos trancos, mesmo nos barrancos atolado, percorre as estradas das Minas Gerais, e lá se vai mais um pouso ficando para trás.
Passou por tantas, enfim chegou à Terra da Garoa, a bela São Paulo destino concorrido, a terra do trabalho, garantia do salário.
Mas eu sou da Leopoldina, natural da Cidade Maravilhosa, tenho nome de Iluminado, afinal, sou Lucas, O Galo Dourado, estou na Intendente, mas tenho patente!
“Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga que nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar”
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1949)

Ê Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, o Nordeste é aqui!
Este povo sorridente, alegre e contente aqui ficou, aqui fincou bandeira, para os novos desafios o povo nordestino construiu morada carioca. Trouxeram na bagagem: cultura e arte, culinária, alegria e determinação. Eita povo arretado! Ganhou até Centro para sua Tradição que leva o nome do Rei do Baião. É um pedaço do Nordeste


no Bairro Imperial de São Cristóvão. Impossível de resistir! Afinal, se o baião é bom sozinho, que dirá baião de dois. Uma mistura de sotaques
no equilíbrio da alegria que festeja esta união. Ainda que se possa afirmar:


“Não há, oh gente/ oh não, Luar/ Como esse do sertão”
(Catulo da Paixão Cearense/ João Pernambuco, 1914)


Pode parecer surreal, mais é a vida desta gente, trazer seu pedaço de chão no coração, para esta terra do carnaval! Não há felicidade maior parar o samba em três minutos para cantar o Baião de São Sebastião.
“Ai meu São Sebastião
Te ofereço este baião} bis
No começo eu tive medo
Muito medo meu irmão
Mas olhando o Corcovado
Assosseguei o coração
Se hoje guardo uma saudade
É enorme a gratidão
E por isso Rio amigo
Te ofereço este baião”
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1973)

A todo povo nordestino agradeço a companhia nesta viagem comovente, e esta história se encerra na Intendente - a Estrada que reúne todos os povos no carnaval sem distinção. Somos povos unidos, todos somos um, do Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sul ou Sudeste. Unidos somos fortes, e juntos somos Unidos de Lucas.

E lá vou eu, malandro cangaceiro, nordestino folião, brasileiro, guerreiro. Da Unidos de Lucas sou o pavilhão! Sou Nordeste no carnaval, e na vida sou campeão!
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Tema |André Cezari | Dir. Artístico G.R.E.S. Unidos de Lucas |
Texto e Pesquisa| Estúdio Cezari


Trechos de músicas citadas:
Asa Branca - (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947); Olha Pro Céu - (José Fernandes e Luiz Gonzaga, 1951); A Vida do Viajante (Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga, 1953); Que Nem Jiló – (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1949); Luar do Sertão (Catulo da Paixão Cearense/ João Pernambuco, 1914)
Baião de São Sebastião - (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1973).

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