1 de setembro de 2017

PROSA DO FOLIA: André Cezari, carnavalesco da Independente Tricolor

Um comentário :
Formando uma comissão de carnaval para 2018 junto com Anderson Rodrigues e Roberto Monteiro, eles prometem "assombrar o Anhembi". Na nossa Prosa do Folia de hoje André Cezari, carnavalesco da Independente Tricolor
Foto: Renato Cipriano

Quem é o André Cezari ?
- Carioca da Ilha do Governador, figurinista, carnavalesco. Apaixonado pela arte e cultura do samba.
Como começou a sua relação com o carnaval?                    
 - Sou oriundo de um bairro do Rio de Janeiro chamado Tubiacanga,  na Ilha do Governador,  lugar  folião desde a fundação,  onde o carnaval faz parte integrante na vida de todos! Meu Bisavô, um dos fundadores de Tubiacanga, homem de respeito e admiração, era conhecido como Veríssimo, emprestava sua casa para bailes na comunidade de pescadores, foi um folião de carteirinha, organizava naquela época desfiles carnavalescos com alegoria, e tudo! Então desde criança já ia para rua, para os bailes no clube em frente a minha casa, participava dos “Banhos de Mar a Fantasia” no bloco “AÍ Vem Eles”, pois praticamente toda vizinhança participava e meus familiares não perdiam.  Era uma tradição belíssima principalmente pela criatividade, pois as fantasias eram feitas de papel crepom. Isso tudo quando era criança! Cresci e foi no carnaval de rua que comecei  a dar meus passos já na adolescência. Fundei um grupo de fantasias com meus amigos e alguns familiares, chamado “Grupo Novidade” onde participava na criação das fantasias, todos nós economizávamos nossa “graninha” para curtirmos o carnaval, tanto em Tubiacanga, no carnaval na própria Ilha do Governador, principalmente no bairro do Cacúia, onde existia um concurso de fantasias originais. Primeiro ano foi um Mosqueteiro, no segundo fizemos uma fantasia inspirada no fundador da cidade do Rio de Janeiro, Estácio de Sá e isso em 1991, nos sagramos  campeões na categoria originalidade no concurso Folião de Rua, no Cacúia. No meu último ano foi um Toureiro, e uma tia minha fez a costura. Éramos 25 componentes e curtíamos no Centro da cidade, na Av. Rio Branco, que era o ápice do carnaval de Rua do RJ, pela Zona Sul, enfim, saímos pela manhã juntos e só retornávamos no raiar do dia seguinte felizes da vida! Torcedor da Escola de Samba G.R.E.S. União da Ilha do Governador sempre dava uma olhada nas TVs por onde estivéssemos para pelo menos vê-la entrar na avenida e tentar  ver amigos e parentes que lá desfilavam. Dessa forma, sem saber, de brincadeira, a grande festa já começava a me escolher! Pensando como profissional, depois de uma viagem a uma Escola de Samba em Santa Catarina, efetivamente conheci a magia de um barracão, me apaixonei, voltei para o Rio de Janeiro e decidi que a partir daquele momento seguiria esse caminho! E estou até hoje! E neste ano (2018) devo lançar um bloco em homenagem ao meu bisavô Veríssimo: “Os Verídicos de Tubiacanga”.
Por quais escolas você já passou e qual ano foi o mais marcante ?
- Nesta minha caminhada a primeira porta que se abriu, foi com o grande carnavalesco Alexandre Louzada, onde mostrei o meu trabalho, ainda sem muita pretensão, mas ele viu no meu traço que com um pouco de orientação e dedicação poderia ingressar em sua equipe de trabalho. E foi assim literalmente a minha particular  escola, fui para o atelier, depois decorar alegoria e fazendo meus primeiros figurinos que passariam pela primeira vez em um desfile no maior espetáculo da Terra. Como assistente do Louzada,  foram: G.R.E.S.  Caprichosos de pilares (1996), G.R.E.S. Grande Rio (1997),  G.R.E.S. Portela (2001/02/03), G.R.E.S.  Porto da Pedra (2004). Como carnavalesco solo, sendo campeão na G.R.E.S. Unidos de Padre Miguel. (2005). G.R.E.S.  Viradouro (2006) primeiro como figurinista de destaques e roupas especiais para Milton Cunha, e para  o  casal  Mario e Kaká Monteiro fui responsável na decoração de todas as alegorias daquele ano, onde recebi o prêmio de “Artistas do Samba” pelo jornal Meia-Hora. Permaneci na G.R.E.S.  Viradouro  (2007), e fui figurinista para o carnavalesco  Paulo Barros no Enredo : Viradouro Vira o Jogo” e um dos fundadores das Escola de Samba Mirim “Virando Esperança” e primeiro carnavalesco.  No  G.R.E.S.  Mangueira (2008), como figurinista de Max Lopes e decorador de alegoria, permanecendo para o ano seguinte como decorador de duas alegorias, (2009). No ano seguinte,  a convite do mestre Laila ingressei na equipe de criação da Azul e Branco Nilopolitana  e logo depois fui convidado por ele a participar  efetivamente como membro da consolidada, competente e campeoníssima, Comissão de Carnaval da Beija-flor de Nilópolis . Foram grades  anos de convívio, experiências, fundamentais para minha formação. Trabalhei com  grades nomes e  figuras emblemáticas do carnaval, mas sob a batuta do Mestre Laila, o dia a dia com ele, sua visão de espetáculo, e um defensor da arte e tradição desse nosso patrimônio chamado Escola de Samba, para mim,  foi a consagração. Nesta minha trajetória,  não posso deixar de citar  o meu “Doce Refugio”  a “Tribo do Samba” do meu padrinho  Bira Presidente,  como Diretor Artístico e Carnavalesco do Cacique de Ramos. Paralelamente a Beija-flor e ao Cacique de Ramos, tive também  experiências no grande carnaval.  do qual, acima de tudo também sou fã, o Carnaval da “Terra da Garoa”, São Paulo, onde tive passagens pela Dragões da Real e Rosas de Ouro. Para este próximo carnaval de 2018, uma grande jornada pela frente,  G.R.E.S. Independente, G.R. Cacique de Ramos e  agora também Diretor Artístico da tradicionalíssima G.R.E.S. Unidos de Lucas lançando o Estúdio Cezari na assinatura do enredo.

Como veio o convite para a Independente Tricolor ?
- Foi muito interessante, embora tivesse conhecido por acaso o Diretor e interprete  Pê Santana na praça de alimentação da Cidade do Samba, aqui no Rio, e tão logo criado o laço de  amizade. Efetivamente foi pelo intermédio  do meu amigo e hoje companheiro de Comissão de Carnaval da Independente, o Anderson Rodrigues. Já havíamos trabalhado na Dragões da Real,  ele como coreógrafo da comissão de frente e eu como carnavalesco, em uma interação fabulosa, um grande carnaval em nossas carreiras, com certeza, e assim tudo começou! E hoje me sinto feliz e honrado em fazer parte desta família Independente, e claro, grato pelo convite e confiança.
Da onde veio a inspiração do enredo ?
- A ideia partiu do Anderson. Por conviver neste universo do terror em grandiosas montagens e espetáculos sobre o tema apresentados em São Paulo, sugeriu a diretoria. Posteriormente a minha efetiva contratação, desenvolvi o contexto da sinopse delineando assim, os caminhos artísticos para este “Roteiro”.  Um desafio e um prazer que tenho certeza significa o mesmo para meus companheiros de comissão e para essa jovem e apaixonada escola paulistana na abertura dos desfiles de 2018.
André Cezari, Anderson Rodrigues e Roberto Monteiro

O que podemos esperar do desfile da Independente ?
- Muita beleza, terror e arte! Somados  a alegria esfuziante do carnaval e magia do cinema, que fazem parte de nosso roteiro em busca de nosso primeiro gol de placa! Com o Título: Em cartaz: Luz, Câmera e Terror! Uma produção Independente. Quem viver verá... Vamos assombrar o Anhembi!
Você é carnavalesco mas o samba no pé, você tem ?
- Kkkkk, pouco, para quase nada!  Mas, na verdade, fico é muito contente quando vejo um componente sambando e feliz, é isso que me dá ânimo e me impulsiona nessa profissão.
Você tem alguma inspiração no samba?
-Sempre tenho, tento beber dessa fonte inesgotável de beleza, cultura e criatividade o tempo todo!

O que o carnaval mudou em sua vida?
- Mudou minha vida por completo! Deu-me uma profissão, cultura, experiências e arte. Até meu casamento, pois, conheci a Nayra, com quem sou casado há 13 anos, com muito orgulho, em um ensaio da G.R.E.S. Unidos da Tijuca! Foi amor à primeira vista! Então, tudo o que faço para o carnaval ainda é pouco pelas coisas  maravilhosas que ele mesmo já me  deu!
Deixe seu recado aos internautas do "Folia do Samba" e aos admiradores do seu trabalho

- Alô galera do “Folia do Samba”! Gente que ama o carnaval, assim como eu! Agradeço a oportunidade em estar aqui pela primeira vez e falando um pouco da minha vida e de minha trajetória, um forte abraço em todos e curtam, respeitem e disseminem as cores de seus pavilhões, pois o carnaval é nosso, feito do povo para o povo. A minha arte é a flor da pele, a missão é CARNAVALIZAR a VIDA! Um Beijo no coração de vocês e  um feliz Carnaval!

Um comentário :

  1. que vem somar com a escola de samba familia independente tricolor seja bem vindo

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