17 de novembro de 2017

PROSA DO FOLIA: Darlan Alves, intérprete da X9 Paulistana

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Ele foi pé quente e ajudou a agremiação a voltar ao grupo especial do carnaval paulistano, hoje na prosa do folia Darlan Alves, intérprete da X9 Paulistana.
Foto: Igor Cantanhede 

Quem é o Darlan Alves?
- Sou músico, compositor e cantor. Toda minha família é envolvida com música ou esporte. Meu pai foi jogador profissional do Ceará, Sport, Taguatinga (DF) e tenho irmãos e sobrinhos que seguiram seus passos no futebol. Nasci em Brasília, mas quando eu ainda era criança mudamos para Teresina-PI. Quando eu tinha por volta de 13 anos vim para São Paulo. Parte da minha família já morava aqui e todos frequentavam a Tom Maior. Lá comecei como ritmista tocando surdo de terceira e, paralelo ao Carnaval, também tinha uma banda de pagode e já arriscava composições de samba-enredo com meus irmãos. Hoje vivo intensamente o Carnaval. Além de intérprete da X-9 Paulistana, sou compositor de mais de 30 sambas-enredo em São Paulo e Rio de Janeiro. Esse ano assino os hinos da Mancha Verde e da Estrela do 3° Milênio, defendi sete sambas nas eliminatórias de 2018, sendo que cinco foram campeões (Vai-Vai, Mancha Verde, Colorado do Brás, Dragões da Real e Estrela do 3° Milênio).
Faço parte do grupo Quesito Melodia que está voltando com força total e com um grande projeto chamado "Clube do Samba-Enredo".
Adoro cinema, sou fã (muito fã mesmo) do Michael Jackson e toda sua carreira incrível e, claro, acompanho tudo sobre esporte e futebol que está no meu DNA (risos).  Curto demais a cultura e comportamento dos anos 90. Estudo tudo referente a essa década que me encanta,  principalmente na área musical quando aconteceu um boom das bandas de pagode, casas de shows lotadas e as composições e melodias mais lindas desse estilo que nasceram nessa época. Por causa disso,  há cinco anos decidi criar o Samba90, uma big band, que é sucesso na noite paulistana e em festas fechadas, onde tocamos com frequência e revivemos esses hits que ainda emocionam o público. Tenho três filhos e sou tão apaixonado por eles que não perco nem um jogo de bolinha de gude (risos).

Como começou a sua relação com o carnaval ?
-  Foi em 1988 quando cheguei em São Paulo. Minha família morava em Pinheiros e já frequentava a Tom Maior. Meus irmãos me levaram na quadra e logo eu já estava envolvido e tocando na bateria Tom 30. Meus irmãos mais velhos também eram compositores. Eu já estava envolvido e apaixonado pela escola e pelo Carnaval. Dessa época até os dias de hoje são mais de 30 anos nesse segmento e 16 como intérprete.

Por quais escolas você já passou e qual ano foi o mais marcante ?
- Comecei na Tom Maior e lá foi minha escola no Carnaval e no samba. Passei pela bateria, fiz parte do time de canto e disputei sambas-enredo como compositor. Acabei me destacando como cantor e o Douglas Aguiar me convidou para cantar com ele na Pérola Negra e Águia de Ouro. Depois assumi a Unidos de Vila Maria como voz oficial, Rosas de Ouro por 12 anos e há 2 anos na X-9 Paulistana. No interior de São Paulo cantei na Bonecos Cobiçados, em Guaratinguetá, na Unidos da Vila Alemã, em Rio Claro e na Tradição de Ouro, em Santo André. No litoral de São Paulo cantei na Sangue Jovem e no Rio de Janeiro na Mocidade Independente de Padre Miguel, em todas como intérprete oficial.
Tenho vários momentos marcantes no Carnaval. Em 2010 quando conquistamos o título na Rosas de Ouro com "Cacau é show" foi uma das melhores sensações e a consagração de um trabalho.  Em 2012, 14 e 15, também na Rosas de Ouro, nos enredos "Reino dos Justus", "Inesquecível" e "Depois da tempestade, o encanto", respectivamente, fui autor dos enredos ao lado do carnavalesco e amigo Jorge Freitas e do meu grande parceiro Murilo Lobo, que era assistente do Jorge na época e hoje é carnavalesco da Estrela do 3° Milênio. Em 2014, também na Rosas de Ouro,  ganhei o prêmio SRzd de melhor Ala Musical no "Inesquecível" e esse ano 2017 com a X-9 fomos campeões no grupo de Acesso e retornamos para o Grupo Especial com "Vim, Vi e Venci. A saga artística de um semiDeus" e conquistei três prêmios como melhor Ala Musical e melhor Intérprete: SRZD, Melhores do Acesso e Sasp/Carnavalesco.

Como surgiu o convite para cantar na X9 Paulistana ?
- Fui convidado pessoalmente pelo presidente André Santos, que ficou a frente da escola até esse Carnaval (2017).

Como funciona a sua preparação com a voz ?
- Como tenho o Samba 90,  Quesito Melodia e minha carreira solo, eu trabalho o ano inteiro, então estou sempre cuidando da voz. Os cuidados básicos: vitando bebidas geladas, tomando água sempre e uma boa noite de sono que é fundamental. Quando começam os ensaios pré-Carnaval eu intensifico esses cuidados e aumento os exercícios físicos aeróbicos como corrida e caminhada e faço uma alimentação mais balanceada. Esse ano adotei as marmitas da Fit Brasil que são refeições personalizadas para o meu dia-a-dia. Com isso eu ganho mais disposição e condicionamento físico que os ensaios de quadra, técnicos e o desfile oficial exigem.

Ser intérprete é uma das coisas mais importantes no desfile. Para você como um intérprete consegue levantar o público e a comunidade ?
- Essa interatividade já começa nos ensaios de quadra onde tenho contato direto com o componente de diversas alas. Canto com garra, coloco toda energia positiva na minha interpretação e isso também envolve e empolga o componente.
Na avenida já acontece naturalmente a troca de boas vibrações. Todo mundo chega empolgado, emocionado, com os sentimentos a flor da pele então,  antes do alusivo eu sempre falo umas palavras para aflorar mais esse sentimento. Não costumo preparar nada antes mas, naquele momento, minutos antes de cruzar a linha amarela, passa um filme, uma retrospectiva de tudo que vivemos e treinamos na quadra e nos encontros com a comunidade que incluo no meu discurso para relembrar todo esse trabalho e dedicação. Aí é só entrar com pé direito.


Você é intérprete e samba no pé você tem ?
- Melhor nem comentar (risos)....

Você tem alguma inspiração no samba ?
- Jackson Martins é uma inspiração tanto em técnica, quanto na arte e garra na interpretação.  Outra influência vem do mestre Jamelão, que tem uma característica própria de interpretação e, como mangueirense que sou, pra mim não tem outro! Isso é até curioso porque torço pela Mangueira mas nunca pisei na quadra (risos). Não dá pra acreditar, né? Herdei essa paixão do meu pai (já falecido) que ficava contando os minutos para o desfile da escola na televisão e quando ela entrava ele chorava o desfile todo. Aquilo me marcou demais e fez nascer essa paixão em mim pela Verde e Rosa. Também gosto muito da comunidade da Caprichosos de Pilares.

O que o carnaval mudou em sua vida?
- Minha vida, minha história, a história da minha família e minhas conquistas se confundem com o Carnaval. Tudo que obtive até hoje foi através do meu trabalho no Carnaval. É um orgulho e muito gratificante trabalhar na maior expressão cultural popular.


Deixe seu recado aos internautas do "Folia do Samba" e aos admiradores do seu trabalho
- Só tenho a agradecer todas as pessoas que curtem o meu trabalho no  e que sempre estão comigo nos meus outros projetos. Quero deixar um grande beijo no coração e meu "muito obrigado" ao "Folia do Samba" que há 4 anos divulga e enaltece a cultura, os artistas, os trabalhos desenvolvidos dentro das escolas de samba de de São Paulo.
ALÔ FOLIA DO SAMBA:
É HORA DO SHOW!
VAMOS LÁ GENTE!


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