11 de dezembro de 2017

'Papo Reto com Tiago Linck' - Se faltar fantasia, alegria há de sobrar

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Quando nossa gente Tumbeira for as ruas exaltar Zé Pereira , teremos o encontro mais emocionante do Carnaval. A pancada que se dá no couro invadirá os corações dos bambas e foliões levando ao delírio. Minha roupa é rasgada sim , meu sapato é apertado, e eu vou assim pra rua exaltar meu samba para que eu seja feliz.

Em torno das mesas de bares, dos botequins ou qualquer esquina que se reúna meia dúzia de gente, é lá que quero estar festejando, ver gente feliz.

Fazendo do bar nossa sede maior, o palco é a rua .É lá que cordas nos embalam avenidas a dentro,é lá que vamos se tornando massa que festeja .Somos escolas do povo, precisamos de gente para concentrar e que queira desfilar. Aos olhos querem espetáculo e vamos de pirex na mão rastejar por aquilo que é nosso por direito. Ora somos marginalizados, ora somos glorificados.
Foto: Thiago Matos

Estamos na Sapucaí, ela é nossa!Tingimos com as cores da carne e de nossas fantasias, gente que involuntariamente demonstra riso e alegria ao mesmo tempo.Do asfalto nossa gente precisa, marcha sem ensaio técnico, aquele que nos faz falta mas que não nos atinge, o mesmo que nos deixa tenso e determina os espaços que devemos ficar onde não se permita pular a vontade.Deslocaremos para a avenida travestidos com as cores que nos compete e nos é direcionada, um baile a céu aberto. Mas falei de Sapucaí. Se invadirmos as ruas, teremos gente pulando, o cheiro de suor e álcool impregnados, mas que faz esse povo feliz.

Quanto a Sapucaí, se nos roubam o que é nosso por direito de se fazer algo decente , vamos medonhos as ruas.Medonhos? Sim, sem as melhores fantasias, os melhores tecidos, o brilho que faltará vindo do tecido, o luxo que não aparecerá, mas do lixo é que crio e recrio a fantasia que vai me fazer pular avenida a adentro. Vamos brincar, Vamos sambar na cara de quem nos julga e acha que nossa festa é suja e indecente e diz que é pecado.

Somos Mangueirense de berço e raiz, mas podemos ser também todas as outras coirmãs.Podem nos tirar tudo, só não tiraram a alegria porque é nossa por direito e nasceu com cada um de nós.

Vou me tragar na bebida, cantando eu vou, fazer a batucada me envolver e sair pelos cantos dessa cidade.

Senhores!Custarei a entendê-los, talvez nem queira porque serei visto com outros olhos, se rebater as críticas posso ser alvo. Essas, deixo para a multidão cantar , em marcha desorientada por ruas, mas alinhada por sinal. Chegaremos ao nosso propósito de não se elitizar, se estamos tomando esse caminho é hora de se voltar ao meu povo porque é nele que devemos pensar,.Deixo meu apelo a “ordem”que pouco nos ajuda, quer que meu povo vire gozo,saiba que somos sambistas, damos a nossa cara, nossa garra de por nossa escola na rua.

Confesso que falho-me as vezes, quero que saiba que eu sim irei as ruas brevemente exaltar esse “pecado” que vocês tanto julga.Se me faltar a fantasia não tem problema alegria há de imperar e se faltar instrumento, a lata vira meu tambor só pra ver meu povo desfilar.



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