FOLIA NOS BARRACÕES: Nenê de Vila Matilde - FOLIA DO SAMBA

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FOLIA NOS BARRACÕES: Nenê de Vila Matilde

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A partir de hoje o FOLIA DO SAMBA começa a trazer aos seus internautas matérias sobre os barracões do carnaval de São Paulo. Conversamos com os carnavalescos sobre os enredos e produção do carnaval de 2018. Abrindo os trabalhos iniciamos com a Nenê de Vila Matilde.

A agremiação da Zona Leste apresentará no Anhembi em busca do titulo do grupo de acesso o enredo "A Epopeia de uma Deusa Africana" do carnavalesco Lucas Pinto.


O ENREDO

O enredo é baseado em uma pesquisa antropológica sobre a figura de uma deusa africana de nome Iemanjá.  Não se trata de um enredo afro e sim, uma tese baseada em que, uma deusa africana de nome Iemanjá vem para o Brasil na cabeça dos negros escravizados como protetora e mãe das cabeças. Sua função como mãe e protetora dos mares será o de interceder junto à seu pai Olokun - Senhor de todos os mares para que a travessia dos escravizados ocorra da melhor maneira possível dentro das condições sub humanas em que foram colocados.

Ao chegar no Brasil esse negros serão encarcerados nas senzalas junto os índios também escravizados. Na troca de informações entre eles, os índios percebem que eles também cultuam uma deusa dona dos rios de nome Iara , com a diferença que Iara é uma cabocla metade mulher, metade peixe. Á partir daí, Iemanjá passará a ser representada não só em sua forma original, como também na forma de metade mulher,metade peixe. Para os brancos colonizadores era muito mais fácil entender uma mulher da forma indígena do que da forma africana pois eles conheciam as lendas das sereias que eles chamavam de Janas, uma deidade ora fada, ora bruxa. Mesmo assim a religião católica reclamava que deveria haver uma relação entre os deuses africanos com os santos católicos.
Nesse sincretismo religioso. Iemanjá passaria a ser relacionada com a figura de Nossa Senhora dos Navegantes. Dessa forma a deusa negra, passaria além de ser negra, ser também uma mulher metade humana, metade peixe como também à figura de Nossa Senhora dos Navegantes.

Foram os pretos velhos que ficaram com a responsabilidade de proporcionar esse sincretismo religioso dando base à formação da Umbanda Brasileira onde a Seara de Jurema e seus caboclos tem grande influência nos cultos à Iemanjá e suas falanges. Acontece que, na Bahia, reconhecida como a terra dos deuses africanos, um pai de santo português era casado com uma mulher, filha de Iemanjá. Com a morte dela, ele pede a um pintor que a retrate em tela. Esse quadro que conhecemos de uma mulher de cabelos negros e com um vestido branco caminhando sobre um  mar repleto de rosas brancas numa noite de luar, passa a ser a figura de Iemanjá que cultivamos hoje tanto no reveillon nos litorais brasileiros como no dia 2 de fevereiro no mar vermelho na Bahia passou a ser a figura de Iemanjá que, nasceu, viveu e morreu na Bahia. Dessa forma a epopeia de uma deusa africana apresenta uma deusa que chega negra no Brasil, muda de cor e forma. Vira branca e não perde suas características de mãe, guia e protetora de todas as cabeças.

CURIOSIDADES

* Na numerologia 2018 é 2 e dois é um numero regido pelo elemento água e pelo metal prata e pela lua. Ambos pertencentes à deusa Iemanjá.

* 2 é também o número ligado ao cooperativismo, solidariedade e companheirismo - fatores de extrema importância para um desfile forte e aguerrido na busca do campeonato.

* Esse enredo estava guardado e só poderia ser aplicado numa escola que tivesse a cor azul ou a cor verde. No caso azul esse seria esmaecido para o azul claro ou se fosse verde, esmaecido para o verde água.


* A Nenê, por ser azul e branca casou perfeitamente para a construção desse enredo pois ambas as cores estão ligadas diretamente ao Orixá Iemanjá.

* Por ser um enredo bastante abrangente serão utilizados os mais variados tipos de materiais tendo como principio básico a reciclagem de materiais.

SETORES 

O primeiro setor fará a relação do negro com o índio, junto à deusa. No segundo setor o encontro  dessa deusa com o branco, o sincretismo religioso,  formação da Umbanda Brasileira e as lendas envolvendo o mito Iemanjá e o terceiro setor será o das festas e cultos ao orixá Iemanjá.

O carnavalesco Lucas Pinto foi campeão com a X9 Paulistana em 2017 aonde fez a agremiação retornar ao Grupo Especial. O artista fala sobre a missão que terá na Águia Guerreira.


"Um enredo para um carnavalesco é um filho que ele concebe desde sua criação como tema. A evolução é prazerosa pois a cada dia vejo o crescer desse filho que caminha para ser apresentado à sociedade que é o dia do desfile. Como profissional abraço meu trabalho com toda minha dedicação e carinho, independente da bandeira para que trabalho. Claro que a escola através de sua comunidade e a parceria com o Presidente são fatores de extrema importância como motivação para meu trabalho. Meu momento atual com a Nenê é um momento de grande resgate de sentimentos mútuos que, com certeza só servirão para somar ao sucesso deste trabalho. A Nenê de Vila Matilde fará um grande desfile  que é sua característica como uma escola de comunidade apaixonada por sua Águia e nosso patrono maior Seo Nenê."

Presidida por Rinaldo José de Andrade "Mantega", a Nenê de Vila Matilde será a terceira escola a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo de Acesso Paulistano.


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