Abolição acerta enredo sobre a escritora Conceição Evaristo para carnaval 2019 - FOLIA DO SAMBA

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Abolição acerta enredo sobre a escritora Conceição Evaristo para carnaval 2019

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Em um jantar realizado no dia 18 de maio, no restaurante Graça da Vila, em Cascadura, se reuniram o presidente da agremiação Neto Dória, a comissão de carnaval formada por Léo Torres, Vladimir Oliveira e Raquel Faria, o diretor de harmonia Dalton Ferreira, a escritora Conceição Evaristo e sua assessora Ludmila Lis, para acerta a homenagem que a escola prestará para essa importante figura do movimento de resistência negra. Com o título "A escrevivência abolicionista em versos, poemas e contos." a verde e branco da Abolição falará sobre sua trajetória literária que permeia o universo negro.

Com diversas obras publicadas, entre romances, contos e poesias, Conceição Evaristo é mineira de Belo Horizonte, nascida na Favela do Pendura Saia. Já foi faxineira e hoje, aos 71 anos, concluiu graduação, mestrado e doutorado. Atualmente a escritora é cotada para assumir uma cadeira na ABL (Acadêmia Brasileira de Letras).


" Ser enredo de uma escola de samba é como voltar às minhas origens, voltar ao meu lugar. Poder difundir minha história em uma das maiores festas populares do mundo é lindo, gratificante. E poder falar de "escrevivência", que é escrever sobre a vivência, me emociona." conta Conceição.

No encontro, a escritora presenteou a equipe com todas as suas obras literárias para dar suporte a pesquisa acerca de sua "escrevivência", termo criado pela homenageada, em troca, recebeu camisa do enredo e um quadro com a logo para o carnaval 2019. O presidente Neto Dória, muito emocionado, agradeceu a escritora por ter aceitado o convite e prometeu um belo e emocionante carnaval na Intendente Magalhães.


" É muito importante ter um figura como Conceição Evaristo em nosso enredo. É poder dar voz a nós, negros, por nosso espaço. Não mediremos esforços para um grande carnaval, com muita resistência. Vai ser um momento histórico."

Em breve a escola estará disponibilizando a sinopse do enredo.

Conceição Evaristo
A “escrevivência” abolicionista em versos, poemas e contos.
  

   O Acadêmicos da Abolição, no carnaval 2019, honrosamente convidará a todos a “uma viagem de cidadania” e a rever uma politica do nosso cotidiano passada e presente sobre a raça negra e o processo de abolição sob o prisma de Maria da Conceição Evaristo de Brito.

Nossa escola não se prenderá a narrativa histórica do processo da escravatura do Brasil e nem na narrativa histórica do personagem que conduzirá o nosso enredo.

Mostraremos que mesmo em tempos tão modernos como estamos vivendo, podemos até não nos atentar que a metástase do racismo ainda nos assola, fazendo com que “a obra da escravidão”, mesmo que sem as senzalas e os açoites se perpetue em nossa atualidade, pois algumas pessoas que ainda tentam a reproduzir. E que a exclusão social faz com que os negros continuem lutando para integrar-se na sociedade. 

Nossa escola traz o termo “escrevivência”, criado pela própria Conceição Evaristo, definido como a escrita a partir do cotidiano e da experiência pessoal. Para exaltar os sentimentos, as dores, as alegrias, os gritos e os sussurros da população negra, homens e, sobretudo, mulheres cujas vozes são insistentemente caladas. E através dos romances, contos e poemas de Conceição Evaristo, levaremos para nosso desfile, na Intendente Magalhães, o reflexo passado e presente da condição do afrodescendente no Brasil.  

Várias organizações são criadas visando estudar e lutar contra o preconceito e a discriminação racial. A realidade e as pesquisas têm mostrado que estes continuam a existir, apesar dos avanços individuais de negros que nesta década conseguiram firmar-se como profissionais liberais, a maioria da população negra continua pobre e o trabalhador negro ainda continua recebendo menos que o branco quando executa um trabalho igual. 

O Acadêmicos da Abolição apontará as conquistas mais não se esquecerá das feridas que envolvem as questões raciais. Pois apesar de algumas vitórias, a realidade ainda está longe da ideal. Ainda vivemos o mito da democracia racial, e segundo o IBGE precisaremos de pelo menos 20 anos de políticas afirmativas no Brasil para fomentar a igualdade entre negros e brancos.

E com a força do nosso pavilhão, nossa escola entrará na luta pela reversão desse quadro que não é nada fácil. As principais características da nossa sociedade, hoje foram consolidadas por séculos durante os quais o Brasil assumiu diversas “caras”. A saber, o negro já foi inserido aqui em condição de inferioridade perante os portugueses, assumindo o papel de escravo em uma terra onde, pelas circunstâncias impostas, ele era descaracterizado como pessoa sendo considerado apenas um objeto, uma “peça”, alguém que não tinha autonomia sobre seus próprios atos. E apesar das resistências, das lutas em busca da liberdade, o negro escravo viveu nessa condição por três séculos, tempo mais que o suficiente para que essa situação fosse inconscientemente assimilada por toda a sociedade. Tanto foi assim, que mesmo depois da abolição da escravidão em 1888, o negro continuou sendo escravo, escravo de uma sociedade que se recusou a inseri-lo em seus meios sociais.

E o Acadêmicos da Abolição inspirado na filosofia da Conceição Evaristo não quer só constatar os acontecimentos, mas intervir nessa ação, colaborando para destruição desse preconceito, ajudando na construção de uma nova virtude, mostrando que somos todos iguais. E o samba tem esse poder de igualdade e o Carnaval o poder libertador com sua mensagem direta e alegria que pode sensibilizar emocionar e fazer pensar transformando a alma e o coração de todos. 

“A nossa escrevivência não pode ser lida como história de ninar os da casa-grande, e sim para incomodá-los em seus sonos injustos.”
Conceição Evaristo 

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