PROSA DO FOLIA: Juliana Pagung, intérprete do Acadêmicos do Sossego - FOLIA DO SAMBA

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PROSA DO FOLIA: Juliana Pagung, intérprete do Acadêmicos do Sossego

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Ela já participou de vários sambas concorrentes, ficou 7 anos no carro de som da Mocidade Independente e em 2019 assume o microfone oficial junto com Guto. Hoje na Prosa do Folia é dia de Juliana Pagung, intérprete do Acadêmicos do Sossego.
Foto: Ewerton Pereira

Quem é a Juliana Pagung?
-  Juliana Pagung é uma pessoa com muita sede de vida e com muita alegria de viver... até porque minha infância foi muito sofrida, com muitas dificuldades. Fui criada no interior do Espírito Santo e trabalhei desde cedo. E por tudo ter sido tão difícil assim, me tornei uma pessoa que busca sempre o prazer nas coisas que faço. Gosto desse combustível que é a felicidade. Sentir felicidade no que estou fazendo. E levo isso, inclusive, ou principalmente, para o meu trabalho. E assim, também sigo nas minhas relações pessoais, nos cursos e em todos os outros campos da minha vida. 

Como começou o envolvimento com o carnaval?
- Através da minha Tia (irmã da minha mãe) e da minha prima, Tatiana Pagung, que foi rainha de bateria e já mora aqui no Rio há muitos anos. Então sempre nas férias eu vinha para o Rio passear e ficava um mês inteiro, na maioria das vezes. E nesse período eu visitava tudo quanto era escola de samba com a Tatiana, e foi aí que comecei a ter esse envolvimento. Paralelo a isso, eu também comecei bem cedo, já na adolescência, a trabalhar com música. Eu trabalhava fora, mas cantava na banda da minha cidade. E a junção dos dois aconteceu depois do meu casamento com o Igor Leal, que é compositor, hoje da Mangueira, mas já escreveu sambas na Mocidade, na Beija-Flor, etc... (Não somos mais casado há algum tempo, mas ainda somos grandes amigos). 

Ele sempre escreveu os sambas, e um dia me convidou para participar com ele na disputa. O que era algo bem novo para mim, já que embora trabalhasse com música, nunca havia tido esse tipo de experiência. Mas aceitei, e eles me ensinaram alguns macetes, entre outras coisas que me encorajaram. E em 2008 participei da disputa de samba na Mocidade e ganhamos. Na época, o presidente, Paulo Viana, queria duas vozes femininas no carro de som. Foi quando surgiu o convite. Eu desfilei cantando o samba da escola, o que para mim foi uma enorme felicidade.

Eu fiquei como apoio de carro de som por 7 anos, na Mocidade. Depois disso, gravei meu primeiro EP solo com um samba mais maduro e romântico. E durante todos esses anos tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas importantes do meio do samba, e agora, 10 anos depois, estou voltando como intérprete oficial. 


Por quais agremiações você já participou?
- Eu já defendi samba em várias escolas. Mas a escola que eu vim como intérprete de apoio durante 7 anos, foi a Mocidade Independente de Padre Miguel. Costumo dizer que o samba é uma cachaça, porque eu saí para me dedicar a outros projetos mais pessoais. E até consegui ficar um tempo longe, mas um tempo entre aspas, pois neste período participei de disputas pela Portela, Viradouro, etc. Além de fazer bastante gravações em estúdios, como corista de samba-enredo.  Também trabalhei por um tempo na Caprichosos de Pilares, pelo grupo de acesso. E este ano venho na Acadêmicos do Sossego. 

Como veio o convite para ser intérprete da Sossego?
- Eu fui convidada para fazer uma gravação como corista. E como o enredo fala “Não se meta com a minha fé. Acredito em quem quiser”, e por ser um diálogo entre Deus e Jesus Malverde, eles me sugeriram colocar a voz junto com o Guto. Gostei da ideia, testamos, e eles gostaram, e surgiu essa ideia de me trazer no carro de som da escola também.Traremos um homem como porta bandeira, então por que não colocar uma loira e um negro bonitão na avenida cantando? rs. Então eu virei na avenida, cantando ao lado desta pessoa maravilhosa que é o Guto. E será um prazer! Embora seja uma experiência nova para mim, porque até então eu sempre vim só como apoio, e nunca como intérprete oficial. E espero suprir as expectativas e necessidades da escola. Darei o meu melhor, com certeza!
Juliana e Guto

Cada ano que passa as mulheres estão ganhando mais evidência no microfone principal de uma agremiação, porém sempre acompanhadas. Para você o que falta para uma intérprete feminina assumir sozinha um carro de som?
- A mulher, em geral, tem a voz mais doce, mas suave, em contrapartida, o homem tem uma voz mais firme, mais grave... e o carnaval sempre foi mais marcado por esse segundo tipo de voz. Mas hoje em dia os sambas estão sendo gravados em tons tão agudos, num nível melódico mais estridente, que permitiu que as mulheres fossem chegando. E nós viemos gravando não só coros, mas também cantando e defendendo sambas nas disputas... o espaço para nós mulheres foi crescendo para a gente, e me sinto muito feliz por isso. No meu caso em especial, estou muito feliz por dividir esse especo com o Guto. Acho que é só uma questão de tempo para termos uma intérprete feminina, cantando sozinha o samba de uma agremiação. E isso está num futuro bem próximo, mesmo!


Qual a mudança que o carnaval fez na sua vida?
- O carnaval mudou a minha vida totalmente. Quem diria que uma pessoa lá do interior do Espírito Santo, toda bobinha, iria chegar no Rio para trabalhar com música, (eu trabalhava na época com uma banda de axé e passei por vários estilos musicais, jazz, bossa nova, forró e tudo mais que você possa imaginar), e chegar onde eu cheguei? Cantei por sete anos no grupo especial, fiz muitos amigos, fiz muitos vínculos de trabalho...o carnaval mudou tudo na minha vida, e tudo para a melhor. 

O que o carnaval significa para você em apenas uma palavra?
- Se eu pudesse definir o carnaval na minha vida, em uma só palavra, eu não sei se conseguiria. Embora possa dizer que o carnaval é algo como um combustível na minha vida. Eu tenho outros trabalhos, e planos, mas mesmo pensando em cortar este vínculo (por muito motivos), rodo, rodo, rodo e sempre acabo voltando para o no samba. Pode ser que um dia eu consiga me afastar e trilhar outros caminhos, mas é uma coisa que sempre estará marcado na minha história, e sempre fará meu coração pulsar mais forte.

Aquele recado especial da Juliana Pagung para os internautas do Folia do Samba e amantes do seu trabalho
- Primeiro, eu envio um beijo muito especial, acompanhado de um grande abraço, para os internautas do “Folia do Samba”. E para todos aqueles que curte o meu trabalho, e estão na torcida por mim, eu prometo dar e fazer o meu melhor, fazer bonito para vocês, e ter aquela sensação maravilhosa de dever cumprido na avenida, que vem através de sorrisos lindos de vocês.  Agradeço também a todas as pessoas que me acompanham, que oram por mim, e dedicam tanto carinho. Isso tudo é impagável, e só me deixam mais grata e feliz pelo meu trabalho. Me deixa mais forte! A todos vocês um grande beijo, repleto de gratidão!

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