PROSA DO FOLIA: Roberto Monteiros, carnavalesco do Vai-Vai - FOLIA DO SAMBA

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PROSA DO FOLIA: Roberto Monteiros, carnavalesco do Vai-Vai

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Um dos responsáveis por levar o Quilombo do futuro para a avenida, hoje é dia de conhecer no Prosa do Folia Roberto Monteiros, carnavalesco do Vai-Vai.
Foto: Kleber Santos

Quem é o Roberto Monteiros? 
- Eu sou acima de tudo um obstinado pelo processo criativo em arte, vivo imerso em um sucessivo ciclo de pensamento de criação, seja com relação ao carnaval ou em projetos mais íntimos. Isso me faz um sujeito mais mental gravitando no mundo das ideias o tempo todo, fato que por vezes me atrapalha dado o pragmatismo que o carnaval exige, então me policio para findar os ciclos e ser mais objetivo na finalização destes processos. Um fato que ilustra muito bem minha condição de artista, é uma história que ouvi sobre Lampião, que ao ser abordado por um volante de “ macacos “, é questionado sobre onde ele se escondia, então ele tirou o chapéu e apontou para dentro dele. Em resumo, vivo constantemente em estado de criação, moro na arte.

Como começou o envolvimento com o carnaval?
- Meu envolvimento com o carnaval se deu por acidente. Embora para quem mora nos subúrbio cariocas o samba seja uma constante no cotidiano, minha relação com o samba era distante mas sempre fui envolvido com desenho e arte em particular com a produção de desenho para tatuagem, certa feita um amigo que já tinha trabalho para o Mestre João Trinta como aderecista de alegoria me indicou para mostrar uns desenhos no barracão da Viradouro, onde o João em 1998 produzia o magnífico enredo sobre a peça do Vinicius de Moraes, O Orfeu negro... João trinta ao ver meus desenhos de pronto me efetivou em sua equipe que contava com nomes que se tornaram referências no carnaval como Roberto Szaniecki, Fabinho etc...desta forma passei 6 anos desenhando para esse grande mestre que me nutriu de livros e engendrou o pensamento latino do realismo mágico em minha mente... Depois, além de tantos outros nomes do carnaval como Alexandre Lousada, Paulo Menezes, etc., servi ao Genial Renato Lage com meus desenhos por mais 6 anos, período que construiu em mim os alicerces técnicos e formais na produção de projetos para o carnaval.


Por quais agremiações você já participou?
- Eu praticamente trabalhei para quase todas as escolas do grupo especial do Rio, mas fiquei residente por mais tempo na Mocidade Independente de Padre Miguel com os carnavalescos Paulo Barros, Paulo Meneses e Alexandre Louzada, tendo feito projetos para a Mancha Verde e Vai-Vai aqui em SP, no Ano passado assinei meu primeiro carnaval na Escola de samba Independente tricolor ao lado de mais dois carnavalescos

Como veio o convite para ser carnavalesco da Vai-Vai?
- O convite para assinar o Desfile do carnaval da Vai-Vai em 2019 surgiu da relação secundária porém ativa que tive com a escola no ano do Maestro (a música venceu)em que projetei todo carnaval para o genial Alexandre Louzada adquirindo certo respeito da direção pela qualidade no detalhamento do projeto etc... mas o fato que selou nossa parceria foi a apresentação deste enredo (O Quilombo Do Futuro) que venho burilando a pelo menos 2 anos que de pronto teve acolhimento por toda direção da escola.

O que podemos esperar da escola do Bexiga para 2019?
- O Grande Quilombo da saracura pode esperar uma Vai-Vai luxuosa sem excessos com uma estética mais limpa (somente onde houver necessidade haverá rebuscamento) com um enredo de narrativa muito bem encadeada onde cada elemento visual faz declarações ao seguinte e ao conjunto que sucede, nada é gratuito, porém com uma leitura clara e objetiva sem perder a densidade que o tema propõe. Teremos momento de grande emoção onde “ sacudiremos “ o inconsciente popular com imagens afetivas que com toda certeza ficarão na memória do carnaval... Ficará bem marcado o desvelar do tempo histórico que se propõe o enredo ao desvelar o passado, ocupar o presente e projetar o futuro utópico através dos conceitos afro futuristas.


Você é carnavalesco, mas o samba no pé, você tem?
- Sobre o tal samba no pé... rs este é meu calcanhar de Aquiles... sabe, uma entre tantas outras distinções que existem entre a produção de carnaval em SP e a do RJ é que os barracões e as quadras das escolas no RJ são distantes e os profissionais de barracão geralmente ficam deslocados do cotidiano das quadras, isso criou um distanciamento por um lado positivo e por outro negativo do profissional e do sambista, positivo pois os vínculos não são tão filiais entre esses profissionais e a escola possibilitando uma relação mais profissional sem elos emocionais. E um fato corrente entre quem está imerso na produção é que nós não temos tempo para usufruir deste samba no pé...mas se alguns de nós somos doentes dos pés não somos ruins da cabeça rs

Você tem alguma inspiração no samba?
- O samba sempre traz algo de renovação nos planos originais de um projeto, temos uma intenção na sinopse que pode se concluir ou não no samba... o Grande carnavalesco Arlindo Rodriguez esperava a escolha do samba para finalizar seus últimos setores...infelizmente não temos tempo para esperar a escolha do hino da escola, mas em nosso caso o samba que venceu incorporou de forma perfeita o espírito de protagonismo, empoderamento e resistência que o enredo propõe

Qual a mudança que o carnaval fez na sua vida?
- O carnaval criou em mim um senso de Brasilidade e afeto pela cultura popular absoluto...

O que o carnaval significa para você em apenas uma palavra?
- Sobre uma palavra para definir o carnaval eu não tenho mais tenho uma frase que gosto e acho síntese desta festa do Tiago ladeira que diz” o Carnaval. A festa onde os tabus perdem forças e as permissões tornam-se hiperbólicas” 

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