PROSA DO FOLIA: Yaskara Manzini, coreógrafa da comissão de frente da X9 Paulistana - FOLIA DO SAMBA

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PROSA DO FOLIA: Yaskara Manzini, coreógrafa da comissão de frente da X9 Paulistana

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Com a missão de abrir os desfiles apresentando e saudando o público, ela vai para o 8º ano à frente do quesito da escola. Hoje é dia de conhecer mais sobre a vida e carreira de Yaskara Manzini, coreógrafa da comissão de frente da X9 Paulistana.
Foto: Bruno Falconeri/SASP


Quem é a Yaskara Manzini?
- Sou uma pessoa muito porosa, aberta para a vida. Tenho sede de conhecimento muito grande, tento compreender para o além do aquilo que é dado, como a gente pode olhar mais objetivamente não só para o ser, mas também nas outras questões que são imanentes próprias do ser humano. Gosto muito de animais, já resgatei alguns, já consegui adotar e na minha casa sempre tem eles ou por estar de passagem ou por eu ser tutora deles. Me fascina a astrologia, sou astróloga e poucas pessoas sabem disso. Jogo tarô e tenho essa ligação com um lado da vida muito sutil e espiritual, não no sentido religioso. Tento ser uma boa filha, boa professora, boa artista e o carnaval é uma das facetas desta artista.

Como começou o envolvimento com o carnaval?
- Meu pai era diretor do Clube Ginástico Paulistano e quando eu era menina meu pai adorava os bailes de carnaval da época, aliás minha família toda. Eu desde pequena ia fantasiada nas matinês. Lembro que de 2 a 10 anos eu sempre ia curtir, depois comecei a estudar de fato sobre dança e me distanciei um pouco. Eu tinha uma ideia falsa pré-concebida sobre as escolas de samba, não conhecia muito a cultura, não via o lado social, artístico, histórico e profissional. Eu militava em uma ONG no Polo Cultural da Zona Norte e por estar lá acabei sendo arrastada para o carnaval de 2000. No sambódromo eu fiquei fascinada com as comissões de frente e os casais de mestre sala e porta bandeira, eu já era coreógrafa com vários prêmios, fazia direção de teatro e sai comovida com aquilo tudo, aquela verdade, aquela dança, tinha me tocado profundamente. Eu fazia parte de uma Cia de Balé de Arte Negra e a nossa cantora era Dona Duda Ribeiro, uma das maiores personalidades do samba e ela chegou para mim dizendo que o coreógrafo do Camisa Verde e Branco havia saído, se eu não queria ir lá com meu currículo. Aí eu fui lá, a dona Magali apostou no meu trabalho e eu entrei no samba.

Por quais agremiações você já participou?
- Eu comecei no Camisa Verde e Branco e fiquei por 11 anos, estou há 8 anos na X9 Paulistana. Também já desenvolvi trabalhos para São Lucas, Afoxé Ile Omo Dada e Prova de Fogo.

Como veio o convite para ser coreógrafa da comissão de frente da X9 Paulistana?
- Eu já estava muito tempo no Camisa, já haviam mudado direções, estava um pouco cansada, como artista eu não estava conseguindo evoluir, fiz 2011 eu já sabia que seria o último. Ganhamos prêmios de melhor comissão de acesso e a nota colocou o Camisa no grupo especial, encerrando com chave de ouro. Mas é difícil abandonar o samba, e aí o Rodrigo que era Carnavalesco da X9 me ligou perguntando como eu estava no Camisa e eu disse que ia me aposentar do samba e ele me disse que a coreografa da x9 havia saído, o que achava de uma conversa com a escola e eu morava bem perto da x9 então tinha essa relação com comunidade, que a gente se encontra no bairro, no shopping. Já tinha uma referência também com o mestre Augusto na época que eu dava aula em uma cia de dança coreana já havíamos feito trabalhos juntos com a bateria da X9. Na primeira reunião conversamos e eles queriam uma comissão com a interação com a comunidade e aí eu me senti desafiada e aceitei, montamos uma comissão com 30 pessoas, uma parte na avenida e outra como guardião, foi o ano que rasgaram as notas e tivemos apenas uma nota de comissão, mas depois que passou tudo aquilo com a polícia federal eles informaram que a X9 era a única escola que tinha gabaritado o quesito.
Comissão já em preparação para o desfile de 2019

Na sua visão qual a principal função da comissão de frente em uma escola de samba?
- O fundamento da comissão de frente é apresentar a escola e saudar o público, você pode vir de patins, foguete, aterrissar no disco voador, sair em uma nuvem de fumaça, mas se não apresentar a escola nem saudar não é uma comissão, é uma ala coreografada. Um bom coreógrafo é aquele que consegue unir isso tudo, consegue lidar com os elementos sem romper o discurso cênico da apresentação.

Você é coreógrafa, mas o samba no pé, você tem?
- Tenho sim, mas como coreógrafa eu não tenho função sambar como passista, sou a primeira pessoa a entrar na escola depois da diretoria, tenho a passar uma imagem de responsabilidade, do que está vindo, mas samba no pé tenho sim, já ensinei, padre, freiras a sambarem.

Você tem alguma inspiração no samba?
- Não possuo inspiração no carnaval, desde o começo da minha carreira eu sempre fui buscar coisas de fora. Trago o balé clássico, a dança afro, o teatro, mas sempre porosa para entender a cultura do samba e conseguir fazer essa junção.


Como funciona a sua preparação para a folia?
- Eu nado 3 vezes por semana, faço musculação também minimamente e próximo do carnaval fica mais intenso. Também dou aula de dança e caminho para ter o ritmo e aguentar os ensaios e a minha equipe também tem uma preparação bem puxada.

Qual a mudança que o carnaval fez na sua vida?
- Passei a enxergar de uma maneira muito diferente daquilo tudo que via pela televisão, percebi que a escola de samba é uma construção de pensamento, conhecimento, que não fica nada a perder de uma universidade e faculdade. O nome ESCOLA é fundamental para entender o local, legitimar como lugar de construção, de conhecimento. A cultura negra se recria para sua própria sobrevivência em um ambiente euro centrado, em um Brasil de cultura europeia. Também é um lugar que você aprende e adquire conhecimento dos mais velhos, aquelas pessoas antigas da escola que te contam histórias dos bairros, coisas que aconteceram, que você não encontra em livros. Acho lindo quando vejo uma baiana, uma velha guarda conversando com crianças, contando experiências.

O que o carnaval significa para você em apenas uma palavra?
- Responsabilidade perante a todos que estão ali, o pavilhão que estou defendendo, aos mais velhos daquela escola. Tenho a obrigação de fazer o meu melhor

Aquele recado especial da Yaskara para os internautas do Folia do Samba e amantes do seu trabalho
- Bom, continuem acessando o site Folia do Samba para saber as novidades do carnaval, conhecer mais dessa cultura, o que ela proporciona. Os que seguem meu trabalho, agradeço e mergulhem no samba, tenham a curiosidade para se contaminar com o que a escola pode oferecer além de um desfile. Faça parte de uma comunidade, ajude a construir, cuidar da quadra. Agradeço o convite para a entrevista, muito obrigada e um grande beijo a todos. Vamos em frente que atrás vem o abre alas ou o casal de mestre sala e porta bandeira rsrs.


2 comentários:

  1. Bacana a entevista, legal conhecer mais sobre a vida das personalidades do Carnaval de São Paulo .

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  2. Em especial conhecer mais sobre a vida de uma profissional experiente de um quesito muito importante para uma Escola de Samba.

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