PROSA DO FOLIA: Anderson Morango, 2ª Porta-bandeira do Acadêmicos do Sossego

Representatividade, talento e garra. Hoje o nosso Prosa do Folia traz Anderson Morango, 2ª Porta-bandeira do Acadêmicos do Sossego.

Foto: Nobres Casais 

Quem é o Anderson Morango? 

- O Anderson fora do carnaval é amigo, emotivo demais, faço de tudo para ajudar as pessoas e às vezes me decepciono, mas esse é meu jeito eu não vou deixar de ser assim. Sou muito brincalhão e uma pessoa que tem amor à vida, esse é o Anderson que ninguém conhece.


Como começou o envolvimento com o carnaval?

- Meu envolvimento no carnaval começou aos 16 anos, na Estação Primeira de Mangueira com Giovanna e Marquinhos, Giovanna que hoje é a primeira porta-bandeira do Sossego. Eu comecei com  a Giovanna maquiando, arrumando, desenhando roupa, enfim cuidava da fantasia ia para shows, viagens para fora do Brasil tudo isso que eu fazia com os dois.


Por quais agremiações você já desfilou?

- Como mestre-sala eu passei pela União de Vaz Lobo, Arranco do Engenho de Dentro e Mocidade de Vicente de Carvalho, também fiquei dois meses cobrindo uma licença da Daniele na Portela junto com a minha porta bandeira. Foi um momento bacana e graças a Deus sempre tive boas notas, então é uma época que eu também lembro com muito carinho.


Como começou sua relação e o convite para o Sossego?

- O meu convite lá no Sossego partiu do antigo Presidente Wallace Palhares, que hoje preside a Lierj. Ele viu o meu desfile na Intendente Magalhães no Embalo do Engenho Novo, já como porta-bandeira, e lá ele viu aquela bagunça, aquele povo em cima de mim, aquele fervo e como a sossego iria falar sobre tolerância religiosa, preconceito e mais, ele me convidou, inicialmente apenas para desfilar como musa. Logo depois ele conversou com o presidente de honra na época, o Sandro Avelar, e viram que eu dançava bem, e ai surgiu o convite e começou a minha relação de amor com a escola.


Apesar de estar indo para o terceiro ano, ainda sofre algum tipo de preconceito no mundo do carnaval?

- Sim, por ser negro, gay, periférico, por não ser famoso, algumas Portas-bandeiras e personalidades o Carnaval ainda acham um absurdo eu estar nesta posição, mas hoje eu respondo com mais tranquilidade, com mais sabedoria,  hoje estou mais maduro para responder esses ataques, essas perguntas, nessas saias justas que ainda tenho de vez em quando. Mas eu vou levando de boa, eu falo que o preconceito está na cabeça de cada um e  o carnaval é uma festa para todos, independente de cor, raça, religião, e principalmente  gênero.


Como é a relação com seu mestre-sala?

- Eu tive 3 mestre-salas, gosto de dar oportunidade aos mestres que nunca passaram na Sapucaí e a minha escola me permite isso, muitos que batalham para estar lá. O primeiro que foi o Wladimir nós temos uma história de amor até hoje, o segundo foi o Hugo Cesar que é meu padrinho, meu irmão, uma pessoa que falo toda hora e agora estou trazendo o Yago que também temos uma situação muito tranquila. No início eles tem receio de pegar na mão de outro homem, passar a mão no rosto, mas eu falo logo "pode dicar a vontade" rs. Graças a Deus os 3 nunca tiveram problemas quanto a questão da sexualidade, são super bem resolvidos em conduzir um homem como porta-bandeira.


Você tem alguma inspiração no samba?

- Sim, a minha inspiração no samba é Giovanna Justo. Foi a mulher que eu vi dançar, a mulher que me ensinou a respeitar um Pavilhão, uma mulher que me ensinou a me portar com uma porta-bandeira, então a minha inspiração chama-se Giovana Justo.


Como funciona a sua preparação para o desfile?

- Sim, apesar de não ter o biotipo magro, eu tenho uma preparação física intensa e tenho uma coreógrafa, a Débora Santos, que é também uma grande porta-bandeira. Ela cuida de todos os meus detalhes, a gente corre, ensaia, caminha bastante para já chegar com fôlego. Começo uma preparação alimentar, como coisas leves e também muito ensaio na Sapucaí. Eu chego naquela pista 18h e só saio 2h da manhã rs.




Qual a mudança que o carnaval fez na sua vida?

- O carnaval mudou a minha vida totalmente. Hoje, eu negro, gay,  tenho voz. Outras pessoas me respeitam pelo pavilhão que eu carrego, pela posição que eu tenho no carnaval. Devo tudo isso ao Acadêmicos do Sossego que me fez ter voz, que me fez respeitado, hoje eu sou uma representatividade para as pessoas, então a minha vida mudou muito. Tem dias que eu acordo com mensagens de carinhos, mensagens que me fazem chorar. 


Qual seu carnaval mais marcante?

- Meu primeiro ano na Acadêmicos do Sossego, nós viemos falando de intolerância, de fé, em que cada um tinha sua fé, cada um acreditasse no que quisesse ser e eu acreditei que eu podia ser porta-bandeira, eu acreditei que não queria um ano só e aquilo foi muito emocionante para mim.


O que o carnaval significa para você em apenas uma palavra?

- Amor 



Aquele recado especial do Morango para os internautas do Folia do Samba e amantes do seu trabalho

- Primeiro gostaria de agradecer ao Folia do Samba e os internautas pelo carinho e dizer  que nós temos que ser aquilo que nós queremos ser, mas não temos que ser aquilo que a sociedade impõe que sejamos. Então se Deus quiser nós vamos  curtir nosso carnaval em breve, um beijo para todo mundo se cuidem, cuidem do próximo e até o nosso carnaval.

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